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domingo, 19 de setembro de 2010

...

Me perco entre o passado e futuro e o hoje nunca é presente.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mal dia, mal dia, mal dia, mal dia...

Beakman

Por algum motivo inexplicável o relógio não despertou, corri sem tomar nem café ou banho, provavelmente meu cabelo deveria estar como o do Beakman, cheguei uma hora atrasado na aula e a professora ficou me olhando feio por interromper a explicação. E pior que isso, não havia cadeira livre, tive que ir na sala ao lado buscar, ao finalmente me sentar ainda levei um cutucão da professora:

- Posso continuar a aula agora que o "atrasildinho" sossegou?

"Acontece", pensei comigo enquanto fazia sinal com a cabeça que sim. Ainda por cima me avisaram que ela já tinha feito chamada. Ao final da aula, depois de praticamente três horas plantado olhando para a lousa sem entender praticamente nada do que a mulher falava resolvi ir pedir presença.

- Você chega duas horas atrasado e ainda tem a pachorra de vir me pedir pra tirar sua falta? Você não acha que está abusando não? Vai ficar com falta! E agradece por eu não ter te expulsado da sala por ficar de burburinho com os outros e atrapalhando os alunos que queriam aprender alguma coisa...

Nem respondi, achei melhor não ofender a mulher que ia decidir minha nota no final do semestre. "Acontece", esse tipo de coisa sempre "acontece".

Animado com minha manhã fantástica fui para o ponto de ônibus pra ver se eu chegava em casa logo. Quando eu estava chegando o ônibus passou, ainda dei um sinal pra ver se ele parava fora do ponto mas o motorista só me deixou um sorriso sarcástico e a certeza de mais trinta minutos prostrado esperando outro ônibus. Na correria pra chegar na aula esqueci de pegar um livro (sempre carrego um pra esse tipo de emergência), o que me forçou a ficar olhando o horizonte por 1800 segundos intermináveis. "Acontece", pensei cá eu com meus botões.

Cheguei em casa quase morto de fome. Coloquei a comida pra esquentar quando tocou a campainha. Era um sujeito com roupas imundas, uma garrafa pet de dois litros na mão e cara de "acabei-de-acordar-pelo-sexto-dia-consecutivo-de-ressaca".

- Bom dia!
- Só se for pra você! Eu não costumo ser assim tão ríspido, mas o dia não estava me ajudando a ser muito diferente.
- Ãhn?
- Nada não, pode falar!
- É que eu moro no aeroporto e trabalho ali perto do centro, eu estava indo para o trabalho e acabou minha gasolina, será que o senhor poderia me dar uma ajudinha pra comprar dois litros de combustível e poder acabar de chegar? Eu recebo amanhã e passo aqui pra lhe devolver o dinheiro, pago até com juros, prometo por Nossa Senhora....
Óbvio que eu já não estava mais aguentando a falação do sujeito, e o bafo eu estava aguentando menos ainda! Enfiei a mão no bolso.
- Tá bom, tá bom, toma aqui ó, eu tenho trinta centavos.
- Só trinta centavos? Pode ficar, não dá nem pra comprar uma pinga! E saiu sem nem me falar obrigado.

"Acontece, acontece"...

Bastou colocar minha cara de tacho pra dentro de casa que senti o cheiro. Corri mas não adiantava mais, todo meu almoço estava queimado. Joguei-as dentro da pia e joguei uma aguinha pra ficar de molho. Engoli um pacote de bolacha inteiro - não sei se de fome ou de raiva - e fui tomar um banho pra ver se tirava a zica.

No meio do banho o chuveiro queimou, acabei de me enxaguar rapidamente enquanto a água me gelava os ossos. Pensei comigo que esse tipo de coisa "acontece", com todo mundo, "acontece..." ACONTECE O CARAMBA! Mal dia, mal dia, mal dia...

Tinha que fazer trabalho na biblioteca às três, deitei pra dormir um pouquinho antes.

"TTRRRRIIIIMMMMM"

Mal dia, mal dia, mal dia, mal dia...

- Alô.
Sem resposta.
- ALÔ!
-Oi, desculpa, não estou te ouvindo bem, você está na linha?
- Sim, estou!
- Então sai da frente senão o trem te atropela! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Antes que eu pudesse xingar qualquer coisa desligaram. Como é possível isso tudo comigo em um dia só? Mal dia, mal dia, mal dia...

Voltei para a cama.

"TTRRRRIIIIMMMMM"

Mas não é possível! Seria o Benedito? Lá fui eu.

- Alô.
- Boa tarde, aqui é da assistência técnica da net (aqui em casa telefone, TV a cabo e internet são da net, com certeza não era trote), estamos tendo alguns problemas técnicos em seu bairro, o senhor poderia verificar por favor se sua TV está no ar?
- Só um minutinho. Corri, liguei a TV e voltei.
- Está no ar sim!
- Então sai de baixo senão ela cai na sua cabeça! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Novamente não consegui nem abrir a boca e eles desligaram. Não consegui nem mesmo pensar em nada, tirei o telefone do gancho e fui pra cama, tinha ainda uma hora pra dormir antes de sair pra fazer o trabalho.
Dormi e dessa vez o celular despertou na hora. Me levantei, me arrumei, e assim que coloquei o telefone no gancho pra sair ele tocou, desconfiei que pudessem ser aqueles malditos de novo, mas vai que alguém morreu e precisassem me avisar? Se eu perdesse o velório da tia avó da prima da minha vizinha ou de qualquer outra pessoa por não atender o telefone eu nunca me perdoaria (eu e minha cabeça cheia de minhocas)!

- Alô.
- Quem fala?
- Aqui é o Matheus.
- Oi Matheus, aí é onde estavam passando vários trotes algum tempo atrás?
- Sim, é aqui mesmo, por que?
- Por nada, é que achei que tinha esquecido seu número, ainda bem que ainda lembro! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Nem me importei que ele já tivesse desligado, xinguei todos os nomes feios e impropérios possíveis, acho inclusive que inventei alguns (não me pergunte como nem de onde saíram, muito menos seus significados)!

- Filho de uma rapariga! Sua mãe não tem dente! Seu pai tem um caminhão cheio de galinhas e dirige sem camisa! A bacia da sua casa tem óleo de rícino! Seu pé tem cheiro de chulé cor-de-rosa e sua mãe gosta de geléia de espinafre com couve!

Saí com minha bicicleta louco da vida, agora já atrasado uns cinco minutos. Três quadras pra baixo de casa o pneu furou.

Mal dia, mal dia, mal dia, mal dia...

Voltei correndo pra casa, guardei a bicicleta e fui pegar o ônibus. Nem preciso dizer que ele passou quando eu estava chegando no ponto né?

Quarenta e quatro minutos após do combinado cheguei para fazer o trabalho. Acho que minha cara de desespero estava tão terrível que ninguém questionou minha justificativa para o atraso. Depois de duas horas de discussão ferrenha em que eu estava SEMPRE errado, acabamos e fui para o ponto pegar o ônibus pra ir para casa.

Mal cheguei no ponto e vi um ônibus descendo. Beleza, pensei eu, enfim alguma sorte neste dia de cão! Estava lotado, não caberia nem uma agulha dentro daquele ônibus, definitivamente ônibus não é como coração de mãe, passou reto sem nem perceber minha existência. Dez minutos depois chegou outro ônibus, lotadíssimo, mas parecia ter algum espaço, entrei e fiquei nos degraus da frente. Foi só então que pensei, nossa, eu desço bem no começo do bairro, não vai dar pra passar na roleta e chegar até os fundos para descer. Com minha melhor cara de piedade conversei com o motorista:

- Moço, será que posso pagar pro cobrador e descer aqui pela frente? É que meu ponto já é aquele da padaria do Seu Nestor, então acho que não vai dar pra eu chegar até a porta dos fundos a tempo.

Subitamente o motorista freia, encosta o ônibus e abre a porta. A freada foi tão brusca que voou gente pra todo lado, xingamento então nem se fala! "Isso aqui não é carga de porco não seu louco! Comprou a carteira seu Zé Mané? Cuidado que desse jeito vou machucar sua mãe aqui no cantinho...

- Pode descer agora do meu ônibus! Ninguém aqui desce pela frente, é por causa de gente folgada como você que o país está essa merda! Vaza moleque!

Mal dia, mal dia, mal dia, mal dia...

Desci do ônibus sem dar nem um pio, só o que as 395 pessoas que estavam dentro daquilo estavam berrando para o motorista já eram o suficiente pra pobre mãe do sujeito ficar sem dormir pro resto da vida.

Acabei de chegar em casa a pé, não falei nada com ninguém, fui direto pra cama pra ver se aquele dia acabava e vinha outro decente um mínimo que fosse. Quando estava finalmente pegando no sono escutei

- Um, dois três e...

A banda do vizinho começou a tocar. Além de tocar mal os pivetes tocavam músicas horríveis! Os caras tocaram Velvet Revolver, NX Zero, Restart e uma música do Fábio Júnior que eu não tenho a mínima idéia de onde eles conheciam ou tiveram idéia de tocar.

Porém o pior mesmo foi a única vez que tentaram tocar uma música legal, era pra ser "Help" dos Beatles, mas aquela "coisa" (falo coisa porque chamar aquilo de música é ofender e desclassificar até mesmo as produções menos sofisticadas da Xuxa) parecia uma mistura Mambo, tecnobrega, rock e tango. O vocal parecia um cruzamento de Calipso (não sei o nome daqueles cabelos esvoaçantes) com Nelson Ned, a percussão estava tocando um reggae que parecia ser do Jason Mraz, a guitarra tocava uma música dos Strokes (!) e o baixo, bem prefiro não comentar.

Vocês viram que eu aguentei muita coisa nesse dia, mas a única hora que realmente tive vontade de chorar foi nesse momento, o que eles fizeram com aquela música foi algo pior do que o que o goleiro Bruno "teoricamente" (não provaram nada ainda né?) fez com a namorada.

Era tanta raiva que fiquei paralisado por uns dez minutos. Quando finalmente comecei a me movimentar olhei para as horas, 20:47. Levantei, tomei um calmante e deitei, fiquei com a luz acessa olhando para o relógio, acho que meu cérebro travou por um tempo, não lembro de ter pensado nada. Quando deu 22:01 liguei para a polícia, que pelo visto não tinha muito o que fazer, pois depois de uns dez minutos já estavam dando bronca na molecada e explicando que segunda-feira (tinha que ser) não era dia de tocar som naquela altura e tals. Pelo que eles tinham feito com a música dos Beatles eu achei que eles mereciam prisão perpétua, mas só o fato deles se calarem já me deixou muito feliz, pelo menos eles não tiveram a chance de assassinar nenhuma música dos Stones.

Deitei. Porém mal tinha encostado a cabeça no travesseiro quando todos, repito: TODOS! SEM EXCEÇÃO! Todos os cachorros da vizinhança decidiram latir juntos. Levantei e abri a janela, a lua estava linda.

- Meu Deus do céu! Será que você não está vendo nada do que aconteceu comigo hoje não?

Repentinamente todos cães pararam, tomei um baita susto. Olhei desconfiado para todos os lados mas não vi nada. Fechei a janela, deitei e dormi sem ouvir mais nenhum pio.

Os vizinhos devem rir
por trás do jornal
e eu desconfio de um complô
o maior que já se armou
uma conspiração internacional...




Ps: só para confirmar a desconfiança daqueles que tem um pouco de cultura (rsrs), o título desse post é baseado no Tio do desenho do Jackie Chan.

Ps2: Aqui em casa a gente usa net mesmo, não é jabá! Rsrs

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Bom tocador

Esta é uma postagem programada, ontem à uma da madrugada uma ligação mudou meus planos do fim de semana e a essa altura do campeonato devo estar bêbado em alguma beira do Rio Grande pensando que cheguei ao paraíso antes mesmo de bater as botas. Mas como já tinha pensado no post de sexta achei melhor gastar uma meia horinha da minha madrugada pré viagem para deixar algo para quem tem coragem de visitar esse blog esquisito e sem graça de vez em quando.

João (sim, sei que sou péssimo com nomes de personagens, mas o que há de se fazer se o João sempre quer dar as caras?) sempre sonhou em tocar violão. Desde criança botou essa idéia na cabeça, nunca foi megalomaníaco de querer fazer sucesso com isso, mas tinha vontade de botar a mão no instrumento e tirar algo que as pessoas gostassem.

MINTO! desculpem-me, é que João é meio fanho e às vezes me confundo com o que ele fala!

A verdade é que João sempre sonhou tocar "O samba da minha terra" no violão, nem ele sabia bem o motivo disso, mas o caso é que João entrou na aula de violão única e exclusivamente para aprender esse música, explicou um monte de vezes para o professor que só queria aprender aquela música mas o danado lhe dizia que era impossível aprender só uma música, ainda mais uma tão difícil quanto aquela, daí João entrou na aula e penou para ir aprendendo tudo até ter capacidade para tocar João Gilberto.

Sempre dizem às crianças que elas podem ser tudo o que quiserem ser.

MENTIRA!

Repito: MENTIRA!!!

Um anão não pode ser modelo da Calvin Klein, Alguém com menos de um metro e alguma coisa de altura (oitenta ou setenta, acho) não pode ingressar na aeronáutica, um gago não pode ser radialista, o Tevez nem em sonho poderia ser modelo, o Edward (sim, do "Crepúsculo") jamais poderia ser macho! Só o Michael Jackson podia ser branco, criança, pedófilo, doido e tudo o mais que ele quisesse, porque ele era ele, mas aí já é a excessão que confirma a regra.

Mas voltando a história. João era simplesmente o pior violeiro que já tinha passado por aquela escola, ele era tão ruim, mas tão ruim, que no segundo mês de aula ele ainda tinha dúvidas sobre qual era o modo correto de colocar o violão no colo e sobre o porque de toda vez que ele tocava uma música parecia totalmente outro algo e ele não percebia. Era como se ele batesse no violão um Mozart e isso soasse como um nirvana, porém com Kurt chapado e as luzes piscando devido à morte.

O caso é que João não tinha a mínima aptidão para música. Depois de um ano sem conseguir realizar seu tão desejado sonho nosso herói decidiu simplesmente encher a cara. Chegou no buteco com o violão em mãos e pediu "aquela". Depois de umas quinze João mal sabia quem era, mas eis que chega uma turma super animada e se senta próximo a ele, depois de umas cachaças gritaram João.

- O rapaz, toca uma música aí pra gente!

João não sabia mais quem era, onde estava ou pra onde ia, porém não ousou recusar seu primeiro convite de tocar "artisticamente". Se aproximou e perguntou aos rapazes o que queriam escutar.

- Toca uma do João Gilberto aí vai!
- Que tal "O samba da minha terra" ein?

Ninguém sabe se foi a cachaça ou outra coisa, mas João sentou-se na roda, empunhou o violão como se fosse um expert, olhou na cara de todos e fez.

João virou o violão de cabeça pra baixo e começou a batucar a música como faria com um tamborim.

-"O samba da minha terra deixa a gente mole, quando se dança todo mundo bole..."

Neste dia João tocou como rei - mesmo que sempre de cabeça para baixo - e satisfez seu mais antigos sonhos, hoje ele é engraxate na praça quinze e ano que vem estreará sua nova linha de produtos de beleza

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Apologia à carona




Dedão e plaquinha na mão

Cheguei hoje de viagem, nada demais, apenas visitar alguns parentes e uma festinha de exposição agropecuária.

Na verdade o que mais me marcou na viagem foi a maneira como fui e voltei. A falta de dinheiro e o espírito aventureiro me convenceram (sem muito esforço) a ir de carona, afinal de contas o que são quase 300 quilômetros nesse Brasilzão de meu Deus não é mesmo?

Acordei na sexta-feira (detalhe: de ressaca) às oito e meia, arrumei a mala e a plaquinha do jeito que pude e saí correndo, nove e dez da manhã eis que lá estava eu fritando sob o sol e balançando minha linda placa para todo veículo que passava.

Depois de dez minutos passou um ônibus que ia para meu destino, o motorista me olhou bem maroto e pude ler em seus olhos, "não quer pagar passagem né? Então vai ficar aí o resto do dia (risada maléfica)". Juro pra vocês que ele pensou isso, não, eu não leio mentes, só percebi nos olhos dele mesmo!

Com toda a força que o pensamento positivo pode ter eu lutei contra as garras do pensamento terrível daquele motorista de fórmula 1 frustrado - sim, "O segredo" influência até pessoas aparentemente normais como eu - e depois de mais dez minutos consegui minha carona.

Acho que luto MUITO bem com as forças do pensamento positivo.
Vou explicar o motivo deste maiúsculo aí em cima.
É que minha intenção era sair de Franca (SP) e ir até Piumhi (MG), porém como a distância era muito grande para conseguir uma carona direto até meu destino (aprendi essa lição da primeira vez que pedi carona em minha vida e fiquei 4 horas à beira da rodovia, mas isso é caso pra outra hora), resolvi pedir uma carona até Passos e daí até Piumhi:




Pois não é que consegui carona diretamente até Piumhi? O rapaz que me deu carona ia sabe Deus pra onde, porém era pra frente de meu destino e ele me deixou lá, a apenas cinco quadras da casa de minha tia. O tal do pensamento positivo funciona ou não funciona ein, ein?

Quem tem boca vai à Franca

Depois de muita festa, todo mundo dizendo que adorava a Pitty, o Marcelo D2 mandando os seguranças acabarem com a raça do meu primo só porque ele queria subir no palco e milhares de gurias gritando loucamente e freneticamente "Luan Santana! Lindo! Eu te amo!", entre outras coisitas mais (algumas, inclusive, impublicáveis neste blog de família), eu tinha que vir embora né?

Às sete da manhã em ponto do dia de hoje eu e minha plaquinha da sorte nos prostramos ao pé da MG 050. Depois de 15 minutos e apenas três carros passarem eu vi que o negócio ia ser feio, andei mais um pouquinho até um posto de gasolina e - na cara dura - comecei a interrogar os caminhoneiros sobre seus destinos, já no segundo cabra com quem falei arrumei carona até Passos, o sujeito inclusive passaria por Franca se as balanças do destino e da estrada permitissem, o que era improvável, mas eis que a incrível força do pensamento positivo (que começo aqui a chamar também de mão de Deus) novamente se fez presente.

Meu recém amigo caminhoneiro, após uma hora de viagem andando em média à 50 quilômetros por hora (sim, terrível, houve um momento em que pensei até em ir a pé!), decidiu parar em um posto de gasolina para tomar um cafézinho, e não é que o primeiro carro que me aparece na frente tem a placa de Franca? Como rapaz tímido, quieto e introvertido que sou, fiz o que todas pessoas que carregam óleo de peroba na mala fariam, meti a cara na janela do sujeito e perguntei se ele e a família não queriam me levar pra casa.

Com um belo empurrão daquela mão que eu disse aí em cima o homem mandou a filha (que, diga-se de passagem, estava muito bem acomodada deitada no banco traseiro com vários travesseiros e edredons) sentar no cantinho e apertar as roupas de cama. Lar doce lar, me espere que estou chegando à 120 por hora!

Agora que já contei minha história farei jus ao título do post.

Carona é bom e todo mundo gosta, ou pelo menos deveria...

Viajar de ônibus é a coisa mais chata do mundo, cada um em seu banco com seus fones de ouvido torcendo para conseguir dormir até chegar ao destino, ou então esperando ansiosamente para que a pessoa que se sente ao seu lado seja o amor de sua vida ou pelo menos uma pessoa bonitinha para trocar uns beijinhos durante a viagem, o que NUNCA, acontece.

Quando se viaja de carona tudo é frio na barriga, há o medo de não conseguir transporte, o medo de desagradar e ser obrigado a descer e a possibilidade de acontecer algo com o automóvel (afinal de contas não é um ônibus, que tecnicamente teria que ser revisado sempre), em contraponto você com certeza irá conhecer pessoas ótimas, de enorme coração e que acreditam no ser humano (colocar um estranho dentro de seu carro no meio de uma rodovia não é algo para tolos que desconfiam até da própria sombra), acontecerão conversas ótimas que com certeza não serão iguais às de teu cotidiano, além, claro, de economizar uma grana (economizei 65 reais só nessa historinha boba aí de cima).

Carona é o ato de ocupar, em uma viagem, um ou mais assentos, poltronas, bancos ou lugares que estavam vagos. Ao fazer isto ao invés de se utilizar de outro veículo o caroneiro contribui para que menos CO2 seja jogado na atmosfera e o efeito estufa aumente. É sabido que um dos grandes problemas do uso que se faz dos automóveis hoje em dia é que eles nunca são ocupados em sua totalidade, ou seja, cinco pessoas que moram próximas às vezes vão para o mesmo lugar em cinco carros diferentes por puro egoísmo e individualismo, seria tão mais simples e vantajoso combinar um esquema de caronas não é mesmo?

A carona é um ato puramente humano. É por isso que digo, dê carona, peça carona, viaje de carona, vá de carona para o trabalho, para a aula de dança, para a chacrinha, para a escola, o show do exaltasamba, Barretos, Ilha do Mel, Oktoberfest, Miami, Paris, Londres, Tókio...



PS1: Por favor não comentem sobre a música e o vídeo, foi a única canção que lembrei que trata sobre caronas, para quem não escutou até o final nem conhece a música ela diz: "Rodoviária de maluco é posto de gasolina..."! Foi essa música que me fez pensar em pedir carona no posto!

PS2: Não, não gosto de Pitty, Marcelo D2 ou Luan Santana, fiz tudo isso em nome da aventura, da farra e dos amigos!

PS3: O caminhoneiro que me deu carona até Passos se chamava Adão, pensei em fazer aquela piadinha (que aliás é de para-choque de caminhão) que "feliz foi Adão, não teve sogra nem caminhão", mas achei melhor não arriscar minha passagem de volta...

PS4: Perdão por ter escrito tanto, mas acho que tantos dias sem internet me deixaram com muita vontade de postar!

PS5: Pra que tanto PS meu Deus?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Uma bolinha, duas garrafas, dois cabos de vassoura e só

Ontem, pela primeira vez em meus quase 23 anos de vida, joguei ball and bets ou bolibete ou bete ou jogo da casinha ou lombo ou qualquer outro nome que dêem a este jogo.

O caso é que mesmo tendo vivido no interior durante toda minha vida e sempre tendo toda liberdade de ir e vir do mundo eu nunca me misturei àqueles muleques que perdiam tardes e noites tentando acertar uma bolinha de tênis no meio da rua.

Ontem tive um dia mágico. A primeira bola que veio em minha direção "beteei" longe, tão longe que conseguimos fazer dez pontos enquanto a bola não voltava. A partir desse momento todos os meus medos de não conseguir acertar a bolinha ou de ser um mal jogador se esvaíram, me deixei levar pelo ritmo daquele jogo que para mim parecia tão infantil.

Ontem eu entendi porque em tantos lugares tantas crianças brincam de bets.

Ontem brinquei até minhas pernas me fazerem desmontar na beira da calçada.

Senti raiva dos carros que insistiam em passar.

Entendi porque todos os poetas versam sobre sua meninice.

Notei que tenho milhares de coisas a conhecer na minha vida e que as melhores delas não estão nos livros.

Ontem dormi e acordei com gosto de infância na boca.

Ontem, eu quis ser Peter Pan.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sustos infantis

Acho que eu tinha oito ou nove anos, estava todo empolgado assistindo "Pokémon" no Cartoon Network quando aconteceu.

Foi algo ao mesmo tempo surpreendente e assustador, um choque, até hoje guardo lembranças do acontecido. Praticamente um divisor de águas na minha infância, ou talvez tenha marcado o fim dela ou o início da adolescência, sei lá!

Mas voltemos à história.

Estava eu a assistir as incríveis aventuras de Ash e Pikachu quando de repente a imagem da televisão ficou tremida e o desenho saiu do ar.

Quando a televisão voltou a sua nitidez habitual eu vi algo totalmente inédito. Um homem estava atrás de uma mulher, os dois estavam totalmente nús, ele estava grudado nela e fazia um movimento frenético de vai e vem, ela estava com as mãos e joelhos sobre a cama, como uma vaquinha ou o Gump, meu cachorro.

Fiquei estático observando o que acontecia, embasbacado, queria entender aquilo! Virei a cabeça de lado e fiquei a observar quando meu pai apareceu.

- O que é isso menino? O que você está assistindo? Como você conseguiu colocar nesse canal?

E eu lá, pasmo, nem responder meu pai eu consegui.

Ele pegou o controle remoto, olhou para a grade de canais e viu que realmente estava no Cartoon, desligou a televisão, pegou o telefone e ligou para algum lugar, não sei pra onde, mas eu nunca ouvi tantos xingamentos na minha vida.

Fiquei o resto da tarde sem conseguir falar com ninguém. Nunca mais assisti Pokemón.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Férias

Há oito dias que só tiro o pijama para tomar banho ou sair à noite.
Será que isto realmente é vida?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

...

Gosta e não gosta.

Às vezes até desgosta.

Mas o problema mesmo é quando ignora, aí sim as coisas se complicam...

domingo, 20 de junho de 2010

De volta à rotina

Depois de três dias de feira do livro eis que o bom filho a casa torna!

Foram muitas palestras, livros, salões de idéias e boa música, além de um rombo monumental na minha conta bancária. Sou com livros como as mulheres (pelo menos boa parte delas) são com sapatos, é ver e querer, se tivesse ficado na feira mais dois dias com certeza aqui estaria apenas meu corpo, porque a alma eu já teria vendido...

domingo, 13 de junho de 2010

O que vem pela frente

Pedalávamos.
Atingimos, eu e ela, uma velocidade fantástica em pouco tempo, impressionante como conseguimos, não parecia algo normal e apesar disso era MUITO bom.

Eu guiava e queria acelerar cada vez mais, a estrada me parecia reta e com ela ao meu lado tudo parecia simples, não haveriam erros, era perfeito.

- Preciso falar sério com você. Ela disse.

Na minha inocência, inebriado com o vento em meu rosto e a alegria de simplesmente ir adiante mal percebia o que vinha pela frente.

Olhei para trás, a pedra era minúscula mas o tombo não foi.

Aprendemos a dirigir com calma e dentro dos limites de velocidade. Agora é ela quem vai ao guidom como em todos relacionamentos normais...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Velhinha, bota a mão na cabeça!

O ônibus estava praticamente vazio, entrei e sentei-me atrás de uma senhora de cabelos brancos que denunciavam sua pouca idade.

Eis que estava a pensar na vida quando escutei uma música muito alto na minha frente, notei que era o telefone da velhinha que tocava, foi totalmente assustador, enquanto ela abria a bolsa eu comecei a distinguir a música:

- "Bota a mão na cabeça que vai começar. O rebolation-tion, o rebolation-tion-tion..."

Eu estava incrédulo, como ela podia suportar aquele tipo de música?
E piora...

A anciã ao invés de atender ao telefone, simplesmente se levantou com ele na mão, segurou-se em uma barras de ferro do ônibus e começou a dançar o rebolation, ATÉ O CHÃO!!!

Fiquei atônito, meu queixo caiu e eu fiquei olhando e imaginando que os anti depressivos de hoje em dia deveriam ser usados com moderação. Então a senhora me olhou nos olhos, deu uma piscadinha, um sorriso, e se sentou em seu lugar como se nada tivesse acontecido.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...

Existe vida após o tcc?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dead Line

Era um daqueles dias em que quando o ponteiro dos segundos completavam uma volta imediatamente o ponteiro das horas passavam ao número da frente.

A cada vez que olhava o relógio mais rápido parecia que ele trabalhava.

Não aguentou. Foi até a cozinha pegar algo e voltou ao quarto. Levantou o batedor de bifes e estraçalhou o relógio.

Jogou os restos mortais da pequena máquina para o canto, sentou-se e voltou calmamente a escrever seu artigo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Enxergando ao longe

Andava cabisbaixo, estava ficando velho e parece que não conseguia sair do lugar. Precisava dar uma reviravolta em sua vida e sabia disso, só não sabia como.

Foi ao psicólogo, leu livros de auto-ajuda, refletiu e chegou a uma conclusão. Seu problema era pensar pequeno, sonhar baixo, não olhar ao longe!

Levantou a cabeça e olhou com orgulho para a vida, finalmente ia mudar e ser grande. Parecia que juntamente com sua resolução veio também uma mudança em tudo. O mundo sempre lhe aparecia em tons amarelos e pastéis, agora estava azul, verde, amarelo, multicolorido: havia beleza!

Saiu para ver o maravilhoso mundo que se descortinava, andava com passos firmes, sabia que tudo daria certo. Olhava o horizonte, via ao longe agora, esta era sua nova posição frente ao mundo!

De repente tropeçou em uma raiz de árvore, saiu catando cavaco e quando finalmente conseguiu parar notou um fedor horrível. Olhou para a sola de seu sapato e viu a merda de cachorro em que tinha pisado. Possesso, tirou o sapato e jogou longe. No mesmo instante ouviu o grito:

- Cara, você me sujou de merda de cachorro, acabou de encomendar sua morte!

Mal viu o brutamontes correndo em sua direção. Acordou no hospital todo quebrado, o mundo voltou ao tom pastel.

Moral da história: olhe ao longe, mas nunca se esqueça de olhar aonde pisa.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bom de mira

Sempre guardava o revólver carregado e desta vez não pensou duas vezes, correu para o quarto e voltou para a cozinha, ela estava acuada no canto, disparou dois tiros. Errou, ela fugia pelo corredor, correu balançando a arma e atirando num frenesi ensandecido.

Acabaram as balas, ele parou para respirar.

Quando olhou de novo ela já tinha voado para longe.

- Mosca maldita! Na próxima você não me escapa!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sorrir faz bem

Estava andando.

Sem pressa, estava no horário e minha mente - pra variar - estava em algum lugar muito longe do meu corpo. Não tenho a mínima idéia da merda que o tico e o teco fizeram neste momento, só sei que dei um sorriso enorme e olhei para a frente, coincidentemente meu olhar cruzou com uma mulher que estava passando. Putz! Pensei eu, será que ela achou que eu estava rindo dela?

Olhei pra trás para tirar a dúvida e a bendita também estava me olhando, pior ainda, eu tinha esquecido de tirar o sorriso da cara!

Minhas memórias acerca do que se passou depois disso são vagas.

Foi a primeira vez que apanhei de mulher.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

You have a message

Domingo.

Ressaca.

Abri o celular pra olhar as horas e lá estava ela, não tenho a mínima idéia das horas que em um ato mecânico eu pretendia saber, na parte superior do celular o desenhinho de uma mensagem.

Fiquei olhando pra ela. Grogue de sono eu tentava racionalizar o que era aquilo. Não sei se era o álcool que ainda não tinha saído totalmente do meu corpo ou o que, mas meu pensamento ao invés de ficar preso na cachola começou a sair pela minha boca, e ainda por cima havia um interlocutor que também era eu (pelo menos acho...):

- Não era pra essa mensagem estar aí em cima, ela tinha que aparecer na tela inteira!
- Mas não está.
- Será que tenho uma mensagem na caixa de entrada?
- Não, nada disso! Essa mensagem aí no SEU celular quer dizer que o SEU PAI recebeu uma mensagem!
-............. (cara de porta)

Diante da eloqüência da voz de minha própria consciência fui chegar a bendita da caixa de mensagens.

E aí fomos surpreendidos novamente!

Não havia mensagem.
Voltei a tela inicial do celular e advinhem só...

NÃO HAVIA NEM SINAL DAQUELE ÍCONE DE MENSAGEM!!!