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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Punhos inúteis

Então sorriu, levantou a cabeça e encarou-o.

O outro soco atingiu-lhe diretamente as costelas, recuperou o fôlego e sorriu novamente.

Desta vez o chute atingiu-lhe o rosto, caiu de costas, sangrava.

Gargalhou com força e vontade, e mais notável ainda, com sinceridade.

O agressor foi embora derrotado e humilhado, perdera a batalha sem levar nem um golpe, pelo menos nenhum físico.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Por si move?

Sinto que o bonde de meu tempo passou e ao invés de correr atrás dele ou tentar alcançá-lo fico a observar os bondes dos tempos que não são meus, as vezes entro em algum, não são de todo ruins, o problema é que não há identificação, é como se mudar pra uma aldeia indígena, você pode achar tudo lindo, mas nunca será o seu lugar.

Eu deveria ter tido pelo menos mais umas duas ou mais namoradas, pelo menos mais uns dois empregos, mais uns seis ou sete arrependimentos, mais umas cinco decepções amorosas e no mínimo mais uma tonelada de histórias.

Vinte e três anos nas costas e não fiz nada do que deveria. Não plantei uma árvore, não tive um filho e muito menos escrevi um livro, ou seja, se eu batesse as botas nesse exato instante provavelmente eu estaria totalmente morto assim que meus pais finalmente se fossem, já que nem minha irmã me ama o suficiente para passar minha memória e história para meus sobrinhos, depois de uns 30 anos de minha morte estarei totalmente esquecido, exceto pela minha certidão de óbito em algum arquivo de cartório imundo e empoeirado.

Sei, sei exatamente o que eu devia fazer. Acordar amanhã e correr atrás dos meus planos, dos meus sonhos, buscar a felicidade e a eternidade que eu tanto sempre quis. O problema é a física. A inércia e a gravidade me prendem e me impedem de sair do lugar, e não adianta me falar que isso segura a todos e eles conseguem superar, porque a lei da relatividade mostra que para mim tudo é diferente.

Vontade, é a chave. O que me move? Aliás, o que te move?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"But before you go, can you look at the truth?"

Nunca esperei nada de ninguém, é simples e fácil, jamais me decepcionei. As esperanças é que distorcem a realidade. Tudo é uma merda, e desde que você não queira mais que isso, tudo fica bem. Uma vez me atrevi a esperar algo mais de alguém, a querer mais e a me dar mais, da altura em que eu estava é óbvio que foi um puta tombo. Eu devia saber que sorrisos e risadas fáceis demais não são bom sinal.

O grande problema quando seu mundo cai é que você se agacha, fecha os olhos e tenta se proteger, porém chega o momento de abri-los, esse é o pior de todos, porque está tudo arrasado e não há como correr sem tropeçar em todos os defeitos e erros e faltas e falhas e desculpas que não foram pedidas espalhadas pelo chão.

Fugir. Preciso fugir. Um lugar onde ainda não existo e possa me reinventar. Quem sabe algumas tatuagens e brincos não me fariam diferente? Talvez me fizessem um pouco feliz. Seria tão lindo simplesmente pegar o primeiro trem rumo a qualquer outra estação. Pedir carona rumo ao indefinido. Andar para onde meus pés quisessem. Parece tão fácil, não entendo. Não entendo.

Pequeno. Um buraco bem pequeno, onde coubesse só a mim, deitado, me cobriria e lá ficaria, só, no escuro, olhos fechados. Parece tão fácil, não entendo. Não entendo.

Quero nunca mais sorrir.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...

Existe vida após o tcc?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dead Line

Era um daqueles dias em que quando o ponteiro dos segundos completavam uma volta imediatamente o ponteiro das horas passavam ao número da frente.

A cada vez que olhava o relógio mais rápido parecia que ele trabalhava.

Não aguentou. Foi até a cozinha pegar algo e voltou ao quarto. Levantou o batedor de bifes e estraçalhou o relógio.

Jogou os restos mortais da pequena máquina para o canto, sentou-se e voltou calmamente a escrever seu artigo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Desespero

Rugas, mais e maiores a cada vez que via sua vida.

Um milhão de problemas.
E o dobro disso de compromissos.
O triplo de tarefas.
Sabe Deus mais quantas ocupações.

E haviam os amigos.

Sorriso.